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Veneno de cascavel tem forte ação contra vírus da hepatite C

Veneno para hepatite C

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O veneno da cascavel, que já deu origem a tratamentos contra a dor, o câncer de pelee a leishmaniose, agora poderá ajudar a tratar também a hepatite C, a maior responsável pelos casos de cirrose hepática.

As terapias disponíveis para o tratamento da hepatite C são dispendiosas, apresentam efeitos colaterais e resistência viral, e a doença é a principal responsável pelos transplantes de fígado. Por todas essas questões, o desenvolvimento de terapias antivirais mais eficientes contra a doença é essencial.

Agora, pesquisadores das universidades Estadual Paulista (Unesp), Federal de Uberlândia (UFU) e USP obtiveram resultados promissores usando compostos com efeitos antivirais no combate ao vírus da hepatite C. Os compostos foram extraídos do veneno da cascavel (Crotalus durissus terrificus), conhecida também como cascavel-de-quatro-ventas, boiçununga ou maracamboia.

Ação antiviral

A equipe identificou duas proteínas com ação antiviral no veneno da cascavel: a fosfolipase A2 (PLA2-CB) e a crotapotina (CP). No veneno da serpente, esses compostos encontram-se associados como subunidades de um complexo proteico, a crotoxina (CX), também testada pelos pesquisadores.

O genoma do vírus da hepatite C é constituído de uma única fita de RNA, o ácido ribonucleico, que é uma cadeia simples de nucleotídeos que codifica as proteínas do vírus.

“Esse vírus invade a célula humana hospedeira para se replicar, produzindo novas partículas virais. Dentro da célula hospedeira, o vírus produz uma fita complementar de RNA, a partir da qual serão produzidas moléculas de genoma viral que constituirão as novas partículas.

“Nosso trabalho demonstrou que a fosfolipase tem a capacidade de se intercalar com o RNA de fita dupla, intermediário de replicação do vírus, inibindo a produção de novas partículas virais. A intercalação reduziu em 86% a produção de novos genomas virais, quando comparada ao que ocorre na ausência da fosfolipase,” explicou a professora Ana Carolina Gomes Jardim.

A fosfolipase inibiu a entrada do vírus nas células em 97%. Já o uso da crotoxina reduziu a infecção viral em 85%. Além disso, a crotoxina reduziu a produção de novas partículas virais em 58%.

Esses dados vão fundamentar as novas etapas da pesquisa, com vistas à realização de testes em animais e, a seguir, em humanos.

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