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Apresentadora foi proibida de exibir matéria sobre torturas nos presídios do Pará

Por Diógenes Brandão
Filha de militar aposentado, a presidente estadual da Federação Nacional dos Comunicadores do Estado do Pará e apresentadora da REDETV!, Karol Resende foi censurada após produzir uma matéria com a denúncia da prática de torturas em presídios paraenses. 
Em uma live no Facebook, ela disse que o produtor da REDETV! ligou dizendo que, ou ela retirava a denúncia do programa, ou ele não poderia ser exibido, pois a emissora estava proibida pelo governador Helder Barbalho de veicular qualquer matéria que “falasse mal dele”.  
Indignada, Karol Resende chamou a tentativa de censurá-la como sendo uma prática fascista. “Está acontecendo crime de torturas nos presídios, sim”, disse.
“Eu fui censurada. Como estava explicando para vocês, eu ia reestrear nessa emissora de televisão hoje. (…) Estava tudo certo. Programa pronto, matéria gravada. Editor se dedicou para fazer um bom programa para vocês, esse compromisso que nós temos com a verdade. Mas eu não imaginava que eu fosse esbarra com o que tem acontecido aqui no Estado do Pará. 
Estamos vivendo um estado fascista! 
Isso sim é Fascismo! 
Os meios de comunicação estão todos comprados, a maioria, a maioria estão comprados aqui no estado Pará, aonde nós temos comunicadores que recebem uma ordem de ficarem calados e tem seu silêncio comprado, pois nós não podemos falar nada que envolva o governador do estado, ou que respingue na imagem dele por cargo de indicação. O que isso tem a ver? Porque o programa de hoje denunciaria e vai denunciar porque nós vamos mostrar aqui nas redes sociais, casos de tortura e abuso de autoridade que estão sendo cometidos pelo atual diretor do Centro de Recuperação Penitenciário do Estado do Pará, inclusive é um capitão da Polícia Militar. 
Com todo respeito à corporação, aos policiais. Pra quem não sabe, eu sou filha de militar. Meu pai é militar reformado, mas há bons e maus profissionais, independente da área de atuação. Assim como há bons profissionais na comunicação. Há os que se vendem, há os que não se vendem. Há os que se prostituem e os que não se prostituem. E este determinado produtor de televisão ligou ontem (…) para informar que meu programa não ia ao ar e em ligação telefônica, este produtor disse: “Ou você retira a matéria ou esse programa não vai ao ar”, aonde ele alega que o dono dessa emissora de televisão recebeu ordem para não falar mal do atual governador do Estado, em hipótese nenhuma e nem nada que fosse respingar na imagem dele. 
Foi esse argumento que este determinado produtor me alegou. Que ou eu retirava a matéria do ar ou eu estava fora. Fui proibida de veicular esse programa na televisão e sabe como é o nome disso, gente? Censura! Você não dá liberdade à imprensa. Mas eu quero aqui falar a minha decepção e nem culpabilizar esse produtor, porque ele mesmo em ligação disse: “eu tô correndo o risco de perder o emprego, se eu colocar esse teu programa no ar”.
“Não sou amadora, sou uma profissional e mereço respeito (…) E falar que censura no Brasil nunca mais! É um absurdo o que nós estarmos vivendo e vivenciando. Comunicadores, imprensa, porque eu tenho uma carteira de imprensa, eu faço comunicação, sou presidente de uma federação, represento uma classe de comunicadores do meu estado, receber censura, ser proibida de veicular uma matéria que está levando informação, conhecimentos, fatos verídicos, há prova. Há um dossiê que comprova”, diz Karol.
Em um comentário na postagem de Karol Resende, uma seguidora comentou o seguinte: “Estamos tendo campos de concentração estilo Auschwitz , dentro dos presídios muita tortura sim!!! Criaram uma policial estilo SS ,estamos vivendo nazismo”.

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