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Mayssa Pessoa comenta sobre homofobia no meio esportivo: “Seguimos com problemas”

Na semana do Dia Internacional Contra a Homofobia, goleira ainda se preocupa com o preconceito e a abordagem que é dada quando o assunto é a orientação sexual dos atletas O esporte é palco de protagonismos. E não existe um manual específico que determine quais requisitos os atletas precisam ter para que suas boas façanhas sejam reconhecidas. Só que a paraibana Mayssa Pessoa já passou por episódios em que, infelizmente, o “quem ela é” enquanto pessoa superou o “o que ela fez” como atleta. E de maneira injusta. A goleira de handebol, uma das melhores do mundo, já teve os seus feitos dentro de quadra deixados de lado em detrimento de questões pessoais. Destaque de grandes conquistas – acompanhadas de notáveis atuações -, ela precisou, em muitas ocasiões, responder sobre algo que só a ela compete: a sua orientação sexual.

Mayssa é declaradamente bissexual e trata do assunto, hoje, com a convicção de quem sabe que a sua verdade não precisa ser parâmetro para nada. Mas, até que essa blindagem ganhasse força dentro de si, a goleira precisou engolir alguns sapos acerca dessa problemática. Embora tenha aprendido a lidar com algumas saias-justas, a atleta mostra preocupação com os episódios de homofobia que ainda insistem em ocorrer no mundo esportivo.

– Muitas vezes faziam perguntas que não se faz. Hoje as coisas são diferentes. Já sei levar bem as respostas quando o assunto é sobre minha vida pessoal.

Estamos no ano de 2020 e seguimos com problemas – cravou Mayssa.

Com 35 anos, Mayssa tem uma trajetória expressiva no handebol: pela Seleção Brasileira, por exemplo, esteve em duas Olimpíadas. Na primeira, em Londres, em 2012, ajudou o país a alcançar a melhor colocação na modalidade, ficando em sexto lugar. No ano seguinte, subiu ao lugar mais alto do pódio na Copa do Mundo, disputada na Sérvia. O feito se repetiu também em Toronto, só que no Pan-Americano, em 2015. Já em 2016, a goleira conquistou o seu maior título de clubes: foi a Champions League, pelo Bucuresti, da Romênia, com direito a duas defesas de tiros de sete metros. Atualmente ela defende as cores do Rostov, da Rússia.O ano dos Jogos Olímpicos de Londres, inclusive, ficou marcado pela melhor campanha do Brasil, mas também por um dissabor que aconteceu com a jogadora. A grande exibição na estreia da então goleira reserva da seleção, no duelo contra Montenegro, válida pela segunda da rodada da primeira fase do torneio, ficou à parte dos destaques dos jornais. É que, momentos antes do primeiro treinamento após a partida, a arqueira assumiu a sua bissexualidade em uma entrevista ao UOL. A notícia repercutiu rápido e deixou a sua condição de atleta em segundo plano.

O sorriso sem graça, após ser orientada a deixar o treino mais cedo, era de quem não queria se tornar o centro das atenções por um motivo tão particular.

– O que me chateou foi que jornalistas vieram fazer perguntas logo após um jogo bem importante, e as perguntas não eram sobre o jogo, e sim sobre minha vida pessoal. Perguntavam se eu era lésbica, bissexual. Eu nunca tive nenhum problema nos meus clubes ou com minhas companheiras de equipe. Sempre respeitaram a minha orientação sexual – confessou.

Há muito tempo morando em território europeu, Mayssa é noiva da modelo holandesa Nikita Ramona, a quem conheceu no ano de 2012 e com quem divide a vida no Sul da Rússia, na cidade de Rostov. O pedido de noivado, inclusive, foi na Arena Papp Laszlo, em Budapeste, na Hungria, durante a disputa do Final 4. Emoção dentro das quadras e fora delas, onde a arqueira, de joelhos, pediu a mão de sua companheira. Amor no mais alto nível, no palco da fase final da Champions League da modalidade, para que todos pudessem apreciar.

Pretensões, nas quadras, para 2021

Mayssa pediu para não ser mais convocada para defender a Seleção Brasileira desde 2017. O pedido, na verdade, parece ter sido um ato final. Acontece que ela alimenta ainda o sonho de disputar as Olimpíadas de Tóquio. Ao que tudo indica, isso pode acontecer, só que não vestindo as cores canarinhas. A Federação Internacional de Handebol respalda a ideia da paraibana. É que, após o período de três anos sem defender a seleção do seu país, quaisquer atletas ganham o direito de representar outra bandeira. Apesar do desejo de jogar em uma outra seleção, Mayssa ainda não divulgou por qual federação pretende atuar futuramente. Por Vitor Oliveira*


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