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Norte tem a situação mais crítica de leitos de UTI, diz IBGE

A falta de leitos preocupa especialmente no Amazonas, que registra a maior taxa de mortes disparada no Brasil.

ANTOS, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A região Norte foi a que entrou na crise do coronavírus com a situação mais crítica em distribuição espacial de leitos de UTI públicos e privados, informou nesta quinta-feira (7) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os dados levantados apontam que os quatro estados que possuíam os números mais preocupantes em 2019 em termos de vagas de terapia intensiva para cada 100 mil habitantes eram Roraima (4,1), Amapá (5,4), Acre (5,4) e Amazonas (7,0).

Esses estados são justamente alguns dos que estão com as taxas mais altas de incidência do novo coronavírus do país. É o caso do Amapá (2.419 casos por 1 milhão de habitantes), Amazonas (2.230) e Roraima (1.539). Para se ter uma ideia, São Paulo, que tem o maior número absoluto de casos, tem uma incidência de 824 casos a cada 1 milhão de pessoas.

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A falta de leitos preocupa especialmente no Amazonas, que registra a maior taxa de mortes disparada no Brasil. O estado tinha até esta quarta (6) um índice de 181 óbitos por 1 milhão de habitantes. O Ceará, em segundo lugar, tinha metade disso (93).

Os dados divulgados pelo IBGE são de 2019 e têm como base o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde 2019 (DataSUS).

O levantamento indica ainda que o Nordeste concentrava todas as regiões com mais de 200 mil habitantes sem nenhum leito de UTI. O Ceará, também com uma alta incidência de casos, apresenta o maior número de locais como esse: 4 no total.

No que diz respeito às 15 áreas mais populosas do país, os cinco menores índices de leitos de UTI a cada 100 mil habitantes estão em Manaus (9,6), Fortaleza (14), Belém (15), São Luís (18,2) e Porto Alegre (19).

Manaus é a única cidade do Amazonas que oferece esse tipo de vaga, e foi a primeira do Brasil a ver seu sistema de saúde pública colapsar após o coronavírus. O hospital de referência Delphina Aziz está cheio desde 10 de abril, por isso depois o governo do estado e a prefeitura abriram um hospital de retaguarda e um de campanha.

Nesta semana, os amazonenses também ganharam um reforço de 267 profissionais de saúde contratados pelo Ministério de Saúde. Funcionários do Delphina, no entanto, ainda dizem que o principal gargalo no atendimento é a falta de respiradores.

Considerando a oferta total de respiradores, nas redes pública e particular, o Distrito Federal foi a região que apresentou o maior índice, com 62 equipamentos a cada 100 mil habitantes. Em contrapartida, os estados com menores índices foram o Amapá (10,4), Piauí (13,7), Maranhão (13,9), Alagoas (15,2) e Acre (16,3).

Entre as regiões com população acima de 500 mil habitantes, os piores índices foram em Santarém-PA (7,5) e Arapiraca-AL (7,6). Já a cidade de Governador Nunes Freire-MA foi a que apresentou maior população (149.147) sem nenhum registro de respiradores.

O Distrito Federal também registou bons números de profissionais de saúde, com a melhor distribuição do país: 338 médicos e 198 enfermeiros por 100 mil habitantes.

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Norte e Nordeste são novamente os piores nesse quesito, assim como no número de leitos de UTI e respiradores. Os menores indicadores estão no Maranhão e no Pará, com 81 e 85 médicos por 100 mil habitantes, respectivamente. O segundo estado tem ainda o menor índice de enfermeiros (76).

Esses números são bem inferiores aos dos estados que vêm em seguida nessa comparação, que são Alagoas e Goiás, com 101. Sergipe e Amazonas aparecem depois, com 102 e 103, respectivamente. POR FOLHAPRESS

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