Pacientes renais pedem prioridade na vacinação contra Covid-19



A vacinação de 100% dos pacientes em hemodiálise na Bahia foi aprovada na última sexta-feira, 19, e a imunização desse grupo de risco já começou essa semana no estado. O que é motivo de comemoração para os baianos é ainda incerteza para milhares de doentes renais de todo o país. Sem unidade na Política Nacional de Imunização, os pacientes que sofrem de insuficiência renal não foram colocados na lista de prioritários para receber a vacina no Brasil. Só que são importante grupo de risco. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia, um em cada quatro doentes renais que contrai a covid-19 morre. Por isso, a Aliança Brasileira de Apoio à Saúde Renal (Abrasrenal), entidade que representa pacientes, está apelando ao Ministério da Saúde que coloque os pacientes renais na lista de prioridade.

Segundo o Censo da SBN, há mais de 140 mil brasileiros com doença renal crônica, recebendo o tratamento de diálise em cerca de 810 clínicas espalhadas pelo país. Esse número tende a aumentar, já que a Covid-19 tem mostrado efeito importante sobre o funcionamento dos rins, levando de 30% a 50% dos pacientes graves, internados na UTI, a precisar receber diálise à beira do leito. Muitos, quando recebem alta, precisam seguir fazendo diálise por tempo ainda indeterminado. A ciência ainda não consegue mapear o efeito de longo prazo da Covid sobre a insuficiência renal crônica.

"Estamos muito preocupados com os doentes renais, que não podem fazer isolamento social porque precisam ir para as clínicas receber o tratamento pelo menos 3 vezes na semana. Ou seja, um grupo de risco importante para a doença não pode ficar em casa se protegendo porque a diálise é o que lhes garante a vida. Boa parte desses 140 mil brasileiros precisa pegar transporte público e enfrentar1, 2, 3 horas de viagem para chegar até a clínica. E eles estão se infectando e morrendo. Precisam ser vacinados com urgência", destaca Gilson Silva, diretor da Abrasrenal.

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 203/21, que determina que os pacientes renais crônicos, pacientes transplantados e portadores do vírus HIV sejam priorizados no processo de imunização contra a Covid-19. Autora da proposta é a deputada Mara Rocha (PSDB-AC).

Em Portugal, os doentes renais e os profissionais de saúde que os atendem foram colocados como prioridade na vacinação contra a covid-19. Em três dias, 100% deles foram imunizados. "No Brasil, além do drama da pandemia, ainda vivemos com o absurdo de ver os custos do tratamento que garante a nossa vida subir a níveis que tornam a diálise quase inviável. Muitas clínicas podem fechar justamente no momento em que os pacientes mais precisam. Sem tratamento, sem vacina, o Brasil pode estar escolhendo matar seus doentes renais", alerta Gilson Silva, que é paciente renal há mais de uma década.

O diretor da Abrasrenal está se referindo à decisão do Governo de São Paulo de aumentar o imposto da diálise de 0% para 18% desde janeiro de 2021. As clínicas passaram a comprar insumos e medicamentos com a cobrança do ICMS neste ano, gerando um prejuízo de R$ 100 milhões, de acordo com estimativa da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT). Como não houve aumento no repasse do Governo Federal para o custeio do tratamento, muitas clínicas vêm informando que poderão fechar.

Foi criado o movimento #ADialiseNaoPodeParar para sensibilizar o país para a causa do doente renal. É liderado pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), com o apoio da Aliança Brasileira de Apoio à Saúde Renal (ABRASRENAL), Federação Nacional dos Pacientes Renais e Transplantados (Fenapar), Associação Brasileira de Enfermagem em Nefrologia (SOBEN), Associação Brasileira da Indústria de Soluções Parenterais (ABRASP) e da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

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